Escuta e MP3

Por Giuliano Obici

CODIFICAÇÃO DO SONORO: MP3
MP3, ou MPEG Layer 3, é um algoritmo de codificação digital baseado em uma técnica de compressão de dados audiovisuais. Ele foi um dos primeiros tipos de compilação que conseguiu comprimir arquivos de áudio com eficiência significativa. A redução no tamanho do arquivo é de cerca de 90%, dependendo do algoritmo usado, e sua qualidade se aproxima à de um CD.

A compressão dada pelos algoritmos está fundamentada em estudos de psicoacústica. As partes do sinal sonoro que percebemos com maior distinção são codificadas com alta precisão, enquanto as freqüências sonoras às quais temos menos sensibilidade sofrem compressão menor. As regiões que fogem de nosso campo de percepção, por sua vez, são descartadas ou substituidas. Isso se dá “através de bancos de filtros, quantização, compressão entrópica e exploração da redundância nos dois canais de som estéreo”. Dizendo de outro modo, o MP3 tem a função de extrair informações do sinal que fisiologicamente não conseguimos captar, por causa dos fenômenos de mascaramento e das limitações da audição humana. Leia mais…

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Novas imagens do Irã

Por Tatiana Leite
Mais de 70 filmes são feitos anualmente no Irã e ainda que grande parte seja subsidiada quase como um instrumento governamental propagandista, a outra parte resiste as limitações da censura do Estado. Vários realizadores iranianos não conseguindo exibir seu filme dentro do próprio país, tentam encontrar espaço nos festivais internacionais.

Há cerca de dez anos atrás, no auge do reconhecimento do Novo Cinema Iraniano foi realizada no Rio de Janeiro “Imagens do Irã” apresentando o painel de um país pouco conhecido no Brasil. Nesta passagem de uma década, essa cinematografia se firmou, consagrou alguns cineastas, (como Abbas Kiarostami, Mohsen Makhmalbaf, Dariush Mehrjui e Jafar Panahi) e abriu as portas para outros tantos jovens realizadores (Bahman Ghobadi, Samira Mahkmalbaf, Abolfazl Jalili ) que buscam novas formas de questionar o Estado opressor, e utilizam-se do cinema como forma de resistência. Nestes dez anos, o país não ficou imune ao processo de globalização, e nas obras mais recentes evidencia-se uma certa “ocidentalização” da população, que reflete cada vez mais sobre sua contemporaneidade. Leia mais…

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Karine Alexandrino

Por João Francisco

Definições à parte, Karine Alexandrino desponta do underground em Fortaleza para o cenário musical e midiático brasileiro. Eis que aporta usando perucas, apliques, cílios postiços e outros badulaques que compõem a “solteira producta”, persona inventada pela jovem e performática cantora. Sua aparição nos desperta para a sempre fervilhante safra de talentos do nordeste (que já nos deu recentemente o Montage, por exemplo) e, mais ainda, prova o potencial das novas mídias que vêm transformando os circuitos musicais no país. Em pouco tempo de carreira Karine conquistou a atenção do público em páginas de Fotolog, Myspace, Blogs e Orkut. Seu primeiro disco “Solteira Producta” (2002) foi lançado de forma independente e o segundo “Querem acabar comigo Roberto” (2004) saiu pela distribuidora paulista Tratore e é responsável por estimular a curiosidade em torno de Karine até mesmo na Europa. Os dois álbuns podem ser escutados no site da Trama Virtual. Leia mais…

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Brian Eno - Music for Airports (Stylus Magazine)

Por Dave McGonigle
Tradução: Antonio Marcos Pereira

Nota do Tradutor: A Stylus Magazine tem uma coluna chamada “Second Thought” na qual são veiculadas revisitações de discos e projetos musicais mais antigos - um pouco no estilo da coluna “Discoteca Básica” da primeira encarnação da Revista Bizz, que serviu de orientação para muitas pessoas de minha geração. A atitude presente nos artigos da Second Thought, entretanto, é um pouco mais interessante do que a idéia puramente didática de que o material apresentado é indispensável: o eixo da seleção é reapresentar trabalhos que, julga-se, foram beneficiados pela passagem do tempo, e oferecer recursos para sua fruição hoje. Como parte de meus interesses em ambient (que já resultaram inclusive na tradução, publicada aqui no Cafetina Eletroacústica, de um texto seminal de Eno sobre o assunto), me deparei há algum tempo com esse texto de Dave McGonigle no qual ele oferece um mosaico compacto, rico e bem humorado de uma possível genealogia para o que creio serem algumas das questões mais interessantes ligadas à produção e à curtição de música hoje. De Satie a Eno, passando por Cage e mais uns tantos que foram omitidos aqui, o século XX parece ter tratado de maneira generosa a fronteira problemática entre som e ruído, entre música e não-música. Os mais dogmáticos, como de praxe, vão preferir fazer uso de uma ontologia rígida para “música” e bater o martelo do juízo final. Os que gostam de conversar - entre os quais me incluo - poderão ler o texto a seguir e dizer, como Satie ao ouvir o som da colherinha caindo, “Hmmm… Interessante…”. Boa leitura! Leia mais…

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Guia para Morrissey

Por Willy Moura

Com disco novo e 47 anos completos recentes, Morrissey consolida seu retorno ao primeiro escalão do business que ele tanto já espinafrou. Mas o caminho foi bastante tortuoso, e houve época em que parecia mesmo que o bigmouth era assunto do passado. Confira a trajetória álbum a álbum (devido à extensão, foram evitadas coletâneas não lançadas no Brasil). Vale a ressalva prévia de que este texto se baseia apenas nas livres impressões de quem vos escreve, o que não é propriamente desprezível, considerando que seu fanatismo pela figura é tão grande quanto o dela pelo Manchester United.

Para entrar no clima, aperte o play enquanto lê o texto:

VIVA HATE (Sire, 1988) ***
A imprensa detestou à época. Diziam que a anunciada parceria com o one-man-show Vini Reilly, do Durutti Column, revelou-se restrita a pouquíssimas faixas e que quem comandava mesmo a barca furada era o enjoadinho compositor e produtor Stephen Street. De fato, parecia mesmo um petardo fadado apenas a comprovar que as acirradas críticas ao derradeiro álbum dos Smiths, Strangeways, Here We Come (1987), eram exageradamente injustas. A esplendorosa introdução de Alsatian Cousin, abrindo o disco, não passava de alarme falso para um conjunto completamente irregular, salvo apenas pela força de Suedehead e Everyday Is Like Sunday, dois clássicos guardados no panteão de hits para a eternidade. Leia mais…

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Howling Bells – Um Álbum além do esperado

[Por Guilherme Martins Costa


Duas guitarras tensas e de batidas constantes se fundindo em um som uniforme, com base em acordes limpos, representando uma corrida na busca por um refúgio. Ouve-se entrar uma voz feminina, segura de si mesma, trazendo uma melodia macia e encantadora, como se estivesse nos preparando para algo maior que está por vir. O clima, que já é o suficiente para fazer qualquer fã de boa música viajar distante, por lugares há tempos não visitados, se eleva quando aquela doce voz se mantém ao fim de um dos versos e os arranjos se suspendem, abrindo espaço para um delay alarmante e um baixo que entra forrando a sustentação do todo, os três anunciando a evolução do quadro previamente instalado. Instaura-se um sonho. Como se tivesse sido feita para um filme, “The Bell Hit”, faixa que abre o primeiro e homônimo álbum do grupo Howling Bells, nos convida para uma fuga do mundo cotidiano, com sua inventividade e influências que, se não forem cinematográficas, apenas Deus – ou quem sabe o Diabo – deve saber. Leia mais…

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O disco solo de Thom Yorke

thom.jpgdivulgação Thom Yorke falou pela primeira vez sobre seu esperado trabalho solo, ‘The Eraser’, feito com o produtor longa data do Radiohead, Nigel Godrich, a ser lançado dia 11 de Julho pelo selo independente XL Recordings. Radiohead não tocará o material de Yorke ao vivo, mas a banda está tocando sete novas músicas a cada show, todas escritas durante o ano passado, num estúdio da banda em Oxford, para o próximo álbum. Ele disse à revista Rolling Stone que ‘The Eraser’ foi feito com “material que eu faço quando estou entediado. Eu queria trabalhar sozinho. Eu apenas queria ver como seria fazer isso”. Leia mais…

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Conexões entre rock progressivo e a m.e.*

Por Debb

Em 1967, junto da onda do movimento hippie, surgiu um novo espírito de experimentação no rock, que tinha como proposta a quebra da fórmula da música pop. A influência do R&B, que dominou a música dos Beatles e dos Rolling Stones começou a ser abandonada em favor de estruturas mais abertas, emprestadas de formas mais livres do jazz.

Na Inglaterra podemos destacar a banda Pink Floyd, que não somente foi pioneira de uma nova proposta sonora experimental, mas também por terem dado partida numa série de eventos multimídias e happenings que transformaram suas apresentações em algo fora do padrão esperado de um show de rock para a época.

A revolução hippie e a notoriedade em torno dos happenings logo se espalharam dos EUA e Inglaterra para o resto da Europa, carregando bem mais idéias desafiadoras do que somente a música alta e estridente do rock. Leia mais…

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Wonderful Electric: Goldfrapp

Por João Francisco

Seu cabelo louro cacheado balança sob o lenço verde. Ela está suando. O público continua em transe. Ecoam as primeiras notas (ou distorções) de “Strict Machine”. Alison Goldfrapp está no palco acompanhada do parceiro Will Gregory, e mais alguns músicos e backing vocals. O duo inglês acumula fãs e conquista elogios a cada nova reinvenção.

É isto mesmo que suas músicas provocam: elas se distanciam dos corpos como no trip hop, plugam os sentidos pela influência disco, arranham-nos pelas guitarras rock que pontuam os sintetizadores eletrônicos. Tudo parece sair de uma espécie de toque de midas glitter, um tanto “esotérico”. Alison Goldfrapp (o nome vem daí) não foge dos agudos nos vocais, sempre com elegância, mistério e, sim, vontade de seduzir. Goldfrapp é uma destas bandas cujas músicas constroem atmosferas: por vezes soturnas, em outras iluminadas por um néon retrô azul. Suas canções transbordam referências como Blondie, Depeche Mode, Portishead, mas foram sinceramente reinventadas. Leia mais…

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Are you sampled?

Por Adriana Prates
Tenho mania de jogar coisas fora mas ainda lembro do flyer (nessa época chamava como ?), bem parecido com um cartão postal, anunciando a primeira apresentação pós Blitz da Fernanda Abreu em Salvador. O ano ? 1989. Ela estava para lançar “Sla Radical Dance Disco Club”, seu primeiro disco solo, e eu fui conferir o show. Vestindo uma roupa preta de vinil, a Fernanda arrebentou: fez um show super dançante e cheio de idéias originais, apesar das abundantes citações do passado, especialmente do Funk e da Disco Music. Na época “Sla Radical Dance Disco Club” representou para mim a existência de possibilidades musicais diferentes e desde então venho acompanhando o trabalho desta artista que, ao meu ver, constitui uma referência na história da Dance Music brasileira. Leia mais…

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