A Mulher Invisível

Por Oleno Netto

muher-invisivelAnalogia tosca para uma comédia pastelão: Imagine um pastel de feira, daqueles que vem com vários ingredientes no recheio, no qual alguns juntos têm seu sabor realçado, enquanto outros têm seu gosto suprimido em meio à miscelânea. Alguns dão certo, outros não. Mas uma coisa é fato, são acessíveis a todos os bolsos.

Este tipo de comédia é um produto feito para o consumo de pessoas das mais diferentes classes sociais e intelectuais, cuja sensação de satisfação está intimamente ligada ao grau de divertimento (fazer rir) que proporciona. “A Mulher Invisível”, que será lançado comercialmente em 5 de Junho, se encaixa nesta definição. Dirigido por Claudio Torres, sócio da Conspiração Filmes, conhecido pelo filme “Redentor”(2003), e também pela direção do videoclipe “Segue o Seco”, de Marisa Monte – marco com ares épicos da produção nacional –, é um caldeirão de diferentes referências cinematográficas e narrativas.

Resumindo a história, um cara é abandonado pela mulher e, em consequência deste trauma, passa a se relacionar com alguém que não existe, uma “fêmea perfeita”, criada inconscientemente para dar trégua ao seu sofrimento. O problema é quando isso começa a interferir na sua vida real e a criar grandes problemas, ele se vê obrigado a resolver a situação e seguir com a vida real.

O elenco é encabeçado por Selton Mello, que oferece uma atuação bem dosada entre o cômico e o dramático, responsável pela humanização de seu personagem. Se todos os atores que fazem comédia fossem assim, tenho certeza que um público ainda maior se arriscaria por seu caminho, tão marginalizado pelos besta-cultos… E no pacote, incluam Fernanda Torres, que está ótima com seu jeito sóbrio de fazer rir. Salve a escola de Jack Nicholson!

Luana Piovani continua linda para encarnar a personagem, criada especialmente para ela, da mulher ideal, não coincidentemente invisível; mas Maria Manoella, ainda desconhecida do grande público,  que rouba a cena e também garante bons momentos do filme. Vladimir Brichta não destoa do elenco, mas a sensação que dá é que qualquer outro cara que imprima normalidade, sem castidade nem vulgaridade excessiva, poderia fazer o papel. Talvez fosse esta a intenção.

O resultado dessa mistura não faz de todos os ingredientes usados no filme exatamente saborosos, mas garante a satisfação do cliente. Bom é que nem precisa se preocupar com o sal de fruta porque o filme é de fácil digestão, o problema são as dores abdominais que ficam. Lembrança das risadas que “A Mulher Invisível” proporciona. Eu recomendo!

Site Oficial: www.amulherinvisivel.com.br

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