o primeiro.

divulgaçãoComeçamos com a tão esperada estréia de Once (2006), em português “Apenas uma vez”, filme que comecei a resenhar há 3 meses e desde então ganhou Oscar de melhor canção e sua estréia no circuito nacional. Vamos começar pelo Oscar? A música da dupla Glen Hansard e Markéta Irglová merece todos os prêmios possíveis, é intensa, é sensível, é forte, tem boa letra, a voz de Glen e a energia que passa cantando e tocando violão e a forma como a voz e o piano de Markéta completam a música, merecem aquele “uau” arrebatador, sabe? É de tirar o fôlego. Mas como Oscar não foi, nem nunca será uma premiação do justo, realmente foi uma surpresa sua vitória. Mas prêmio bom mesmo foi o dado pelo público no Festival Sundance em 2007, além de outros 13 e mais 17 nomeações. Mais aqui.

Eu esperei muito por esse filme. Descobri há meses através um trailer pela internet e desde então vinha esperando alguma notícia que fosse download, festival, cinema, dvd, qualquer coisa. Finalmente em novembro ou dezembro, ele surgiu em locadoras da cidade em dvd área 1, que são os dvds com legenda em inglês ou outro idioma que não o português, vindos diretamente dos Estados Unidos, quase que clandestinamente.

Pra quem não sabe, este filme foi feito com baixíssimo orçamento, apenas duas câmeras e dois atores estreantes, que na verdade são músicos. O que tem de especial nisso? É que boa parte das cenas musicais foram gravadas no ato, ou seja, todas com certo grau de improvisação.

divulgaçãoA cena principal do filme, que é o momento em que a “mocinha” (eles não tem nome no filme, somente a filha da “mocinha”) leva o “rapaz” até a loja de instrumentos em que um senhor bonzinho a deixa tocar seus pianos na hora de almoço. O “rapaz” mostra os acordes para a “moça” (da música “Falling Slowly), coloca a letra na frente do piano e a partir daí tudo que foi registrado dessa parceira está no filme, com a energia daquela interação, daquele momento, quase 100% ao vivo. Cena belíssima. É necessário falar, refrisar, repetir muito que Glen Hansard é surpreendente como músico e intérprete. Fazia tempo que não via alguém cantar com tanta verdade, tanta intensidade.

Quem trouxe Markéta Irglová ao filme foi Glen, que ao ser convidado pelo diretor John Carney para compor 3 músicas para o filme, indicou a pianista quando foi questionado por alguém para o papel da “moça”. A interação e conexão dos dois, que é incontestável, foi logo percebida pelo diretor e daí surgiu o filme. Eu diria que daí surgiu o filme, porque a simplicidade é o que norteia esse filme. Explico. Um exemplo disso seria o fato de que os diálogos não foram dados prontos aos atores/músicos, e foi ai que acredito que o diretor se surpreendeu com Markéta, que se mostrou com um senso de humor delicioso e com falas que dá vontade de ter escrito, uma surpresa realmente. O diretor John Carney, que também é músico, fez questão de escrever uma história que coubesse num cartão postal. O que teria escrito nesse postal? Músico que toca na rua para mostrar seu trabalho e ganhar uns trocados, em recuperação de uma traição da namorada por quem ainda é apaixonado (inspiração de suas músicas), mas que mora em Londres (o filme se passa na Irlanda), conhece moça que insistentemente tenta ser sua amiga e o incentiva a gravar seu disco e expor suas músicas. Cabe num postal certo? O resumo é bem este mesmo, e os detalhes que prefiro não entrar muito, também caberiam no mesmo postal, acredite.  Tudo muito simples.

Todas as músicas são incríveis. É um musical sem o formato de musical, mas com 80% de sua essência em música. É e será sempre um dos meus filmes favoritos da vida (junto do também musical “Les Chanson D’amour” de 2007, do diretor Christophe Honoré). Como uma amiga disse, é um filme que termina com um começo e que te dá a sensação de ter passado um dia conversando com amigos.

Te convenci? Vá ao cinema, não perca, já está em cartaz. Mas aviso, a cópia não é lá das melhores, ou dei um azar tremendo com projetor, mas a sala de cinema do Vivo Gávea exibiu uma cópia bem amarelada perto das cores do dvd que já havia assistido, além de definição duvidosa… A outra dica é, se começar o filme e a música não estiver alta, levante e peça para aumentar, porque é para ser assistido com volume!

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2 Comentários so far
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filme lindo, simples, sincero. e a trilha sonora que é apaixonante, delicada.

bom, só sei que saí do cinema acreditando mais na vida.
(chorando baldes também, claro)

bem, “once” foi um achado
não conhecia nada do filme, nem as músicas, e me apaixonei por completo
ouço a trilha quase todos os dias
é fantástica
o glen é surpreendente, mas o charme do filme está mesmo na marketa, com seu sorriso sincero e seu jeito tímido… encantadora.
“falling slowly” é demais (cantei junto com eles no Oscar… claro, eles lá, eu aqui.rsrsrs)
curto muito tb “say it to me now”, na verdade, gosto de todas as músicas do filme
ai ai… sigo por aqui suspirando
rsrsrssrs

abraço, Mike



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