Karine Alexandrino
Por João Francisco
Definições à parte, Karine Alexandrino desponta do underground em Fortaleza para o cenário musical e midiático brasileiro. Eis que aporta usando perucas, apliques, cílios postiços e outros badulaques que compõem a “solteira producta”, persona inventada pela jovem e performática cantora. Sua aparição nos desperta para a sempre fervilhante safra de talentos do nordeste (que já nos deu recentemente o Montage, por exemplo) e, mais ainda, prova o potencial das novas mídias que vêm transformando os circuitos musicais no país. Em pouco tempo de carreira Karine conquistou a atenção do público em páginas de Fotolog, Myspace, Blogs e Orkut. Seu primeiro disco “Solteira Producta” (2002) foi lançado de forma independente e o segundo “Querem acabar comigo Roberto” (2004) saiu pela distribuidora paulista Tratore e é responsável por estimular a curiosidade em torno de Karine até mesmo na Europa. Os dois álbuns podem ser escutados no site da Trama Virtual.
O Neotropicalismo Eletrônico
É assim que Karine define a sonoridade alcançada em seus discos. A tropicália foi o momento em que o violão da bossa-nova e a tradição melódica da canção popular brasileira beijaram de língua o rock e as guitarras. Foi também a hora de ousar hibridismos estéticos ainda inusitados. Artistas como Caetano e Gal Costa mesclavam sambas clássicos e linguagens declaradamente internacionais, desafiando purismos e inaugurando o elogio lúdico do Pop. Eles também aplaudiam Roberto Carlos. Nos discos de Karine uma saudável miscelânea com sabor lounge incorpora a canção no formato amor-partido, característico do chamado “brega” brasileiro, à atitude ficcional e moderna das trilhas sonoras. Karine produz composições fílmicas e letras idem. Ouvindo, lembramos das novelas mexicanas com baladas de heroínas que sofrem irreversivelmente e precisam destilar seu ódio. Tudo com frases feitas e deliciosas. Mas Karine é, sobretudo, um estilo, uma performance irretocável assumidamente feminina e coquete, a solteira producta está imersa em referências (vintage, sixties, tropicalista, cirandas nordestinas e baladas de amor). Karine ainda arrebata acertos que merecem destaque, como a regravação de “Baby Doll de Nylon” (de Caetano e Robertinho de Recife), hit já indispensável em qualquer I-Pod antenado e sem preconceitos.
Veja e ouça Karine Alexandrino:
Na Trama Virtual http://www.tramavirtual.com.br/artista.jsp?id=11116
Site: www.karinealexandrino.zip.net
Fotolog: www.fotolog.net/solteiraproducta
MySpace: www.myspace.com/karinealexandrino




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